A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar dois militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) que exerceram funções nos concelhos de Salvaterra de Magos e Benavente, suspeitos da prática de crimes de corrupção, abuso de poder e extorsão, segundo fontes próximas do processo.
Os dois militares, que terão trabalhado em conjunto no Posto de Trânsito de Salvaterra de Magos, nos Foros de Salvaterra, onde também residem, são suspeitos de ter beneficiado civis através do alegado perdão de coimas e da disponibilização de informação privilegiada, em troca de vantagens financeiras e materiais.
Entretanto, um dos guardas foi transferido para o Posto Territorial de Benavente, onde continua em funções. Fonte da GNR confirmou que ambos foram constituídos arguidos, permanecendo, para já, ao serviço enquanto decorrem os trâmites disciplinares e as orientações do Comando e da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI).
Ao mesmo tempo, fonte ligada ao Ministério da Administração Interna (MAI) indicou que os dois militares poderão vir a ser suspensos de funções nas próximas horas, sublinhando que existem diretrizes claras para situações que envolvam elementos das forças de segurança sob investigação criminal.
A investigação terá sido desencadeada após denúncias apresentadas por alegadas vítimas de extorsão e corrupção. Entre as suspeitas em análise pelas autoridades está a possibilidade de os militares terem tentado obter contrapartidas de diversa natureza em troca do perdão de infrações, incluindo, alegadamente, favores pessoais.
Os investigadores admitem ainda que os suspeitos poderão ter partilhado informações sobre operações de fiscalização e permitido a circulação de viaturas em situação irregular, nomeadamente no setor do transporte rodoviário pesado, a troco de benefícios.
Há também indícios de eventuais ligações a esquemas fraudulentos envolvendo empresas de reboques, transportadoras e seguradoras, que estarão agora a ser aprofundados pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da PJ.
No âmbito das diligências, foram realizadas buscas às residências dos militares, em Foros de Salvaterra, bem como aos postos onde desempenhavam funções. As autoridades apreenderam computadores, telemóveis e outra documentação considerada relevante para a investigação.
A operação contou com a colaboração do Comando do Destacamento Territorial de Coruche e da Unidade Territorial de Santarém da GNR.
O inquérito permanece em curso e encontra-se sob segredo de justiça






