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Sexta-feira, Junho 14, 2024

Papa/10 anos: Seis anos depois de Fátima, Papa volta a Portugal

Neste décimo ano de pontificado, que se assinala segunda-feira, o Papa é esperado pela segunda vez em Portugal, seis anos depois de ter encerrado as comemorações do centenário das aparições de Fátima e canonizado os videntes Francisco e Jacinta.

Fátima é, além de Lisboa, o local onde Francisco é esperado em agosto próximo, pois como fez questão de assegurar ao então bispo de Leiria-Fátima, cardeal António Marto, em abril de 2021, é sua intenção peregrinar até à Cova da Iria quando vier a Portugal para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

Também ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, nesse mesmo ano, o Papa revelou que pretende ir a Fátima em agosto deste ano.

Se esta segunda viagem de Francisco a Portugal assume uma dimensão de cariz mundial, com a esperada presença em Lisboa de mais de um milhão de jovens de todos os continentes para a JMJ, a esperada passagem por Fátima está a ser encarada com expectativa, tendo em conta o desejo de muitos de que possa ocorrer a beatificação da terceira vidente dos acontecimentos de 1917, a Irmã Lúcia de Jesus.

Também os casos de abuso sexual de menores não deverão passar ao lado desta visita do Papa, numa altura em que ainda estarão bem frescos na memória dos portugueses os resultados do estudo da Comissão Independente liderada pelo pedopsiquiatra Pedro Strecht, apresentados no passado dia 13 de fevereiro e as reações negativas às primeiras medidas anunciadas pelo episcopado, encaradas como insuficientes.

A Comissão Independente validou 512 dos 564 testemunhos recebidos, apontando, por extrapolação, para um número mínimo de vítimas da ordem das 4.815.

Estes testemunhos referem-se a casos ocorridos no período entre 1950 e 2022, o espaço temporal que abrangeu o trabalho da comissão, com o sumário do relatório, contudo, a revelar que “os dados apurados nos arquivos eclesiásticos relativamente à incidência dos abusos sexuais devem ser entendidos como a ‘ponta do iceberg’”.

Recuando a 2017, foram milhares os peregrinos que assistiram na Cova da Iria, no dia 13 de maio, à canonização de Francisco e Jacinta Marto, crianças que considerou como “exemplo”, tendo em conta “a força para superarem contrariedades e sofrimentos” que lhes “foi dada pela Virgem Maria, presença constante nas suas vidas”.

Na sua visita de menos de 24 horas a Portugal, com a Base Aérea de Monte Real a ser ponto de chegada (no dia 12), e partida (no dia seguinte), fez apelos à “paz e concórdia entre os povos”, pedindo à Virgem, que, “no mais íntimo do Seu imaculado coração”, veja “as dores da família humana que geme e chora neste vale de lágrimas”.

Durante a sua presença no Santuário de Fátima, teve um encontro com o primeiro-ministro, António Costa, que lhe expressou a vontade de Portugal colaborar na promoção dos valores da proteção dos mais frágeis, como o acolhimento aos refugiados, a promoção da paz nas instâncias internacionais e o desenvolvimento de África.

Francisco reunira-se, logo à chegada a Monte Real, com o Presidente da República durante 10 minutos.

Durante as cerimónias de 13 de maio, o bispo de Leiria-Fátima, António Marto, saudou a “voz profética” de Francisco, capaz de abater muros, de lançar pontes e de dar voz a quem não a tem e agradeceu ao Papa argentino por ter trazido consigo “dois santos, os dois pastorinhos Francisco e Jacinta”.

António Marto considerou ainda Francisco uma voz “profética claramente audível” num panorama mundial “cheio de perigos e medos”.

Jorge Mario Bergoglio foi, em 2017, o quarto Papa a visitar Fátima, depois de Paulo VI (1967), João Paulo II (1982, 1991 e 2000) e Bento XVI (2010).

O Papa fez, desde 2013, 40 viagens internacionais, nas quais visitou 60 países, entre os quais o Brasil, Jordânia, Israel, Coreia do Sul, Turquia, Sri Lanka, Filipinas, Equador, Bolívia, Paraguai, Cuba ou Estados Unidos da América.

Iraque, Quénia, Uganda, República Centro-Africana, República Democrática do Congo e Sudão do Sul, foram outros países visitados pelo Papa que, apesar dos problemas no joelho, que lhe afetam a mobilidade e o fazem deslocar com frequência em cadeira de rodas, não dá mostras de querer abrandar o ritmo, tendo já agendada uma viagem à Hungria para o final do próximo mês de abril.

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