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Segunda-feira, Maio 20, 2024

Lar do Comércio rejeita acusações de maus-tratos e diz que utentes são bem tratados

O Lar do Comércio, em Matosinhos, assegurou hoje que são “falsas e execráveis ultrajes” as acusações de maus-tratos que levaram o Ministério Público a abrir um inquérito, dizendo tomar todas as medidas para assegurar que “os utentes são bem tratados”.

“Ninguém abandonou ou abandona a Instituição por falta de condições! Muito menos por falta de cuidados médicos e enfermagem suficientes e competentes! Não é verdade que exista a degradação da alimentação e muito menos da higiene e limpeza!”, declara a direção da Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) numa nota enviada hoje à Lusa.

Um grupo de sócios do Lar do Comércio, em Matosinhos, revelou, na sexta-feira, que os idosos lá instalados continuam a ser alvo de maus-tratos, tendo denunciado o caso à Segurança Social e Ministério Público (MP) que confirmou a abertura de inquérito.

Na denúncia que deu entrada dia 24 de fevereiro no MP de Matosinhos, os signatários e sócios daquela instituição alegam que esta “falta de condições” levou mesmo vários utentes a abandonar o lar, indicando que há “residentes que estão a ser sujeitos a maus-tratos traduzidos no fornecimento de comida em pouca e menor quantidade, em tratamentos médicos e medicamentosos e higiene pessoal deficientes.

Salientando desconhecer o processo de inquérito aberto pelo MP após estas denúncias, a direção do Lar do Comércio considera que estas “falsidades” visam “denegrir” a instituição onde os, utentes, garantem são bem tratados.

“A direção assumiu e assume, todos os dias, as medidas adequadas para garantir que os utentes são bem tratados, acarinhados e recebem tudo aquilo a que nesta fase da sua vida têm o devido e justo direito”, asseguram, defendendo que as acusações que estão a ser imputadas à instituição carecem de provas.

Em resposta à Lusa, a direção do Lar do Comércio rejeita também que não tinham sido tomadas todas “as medidas adequadas e necessárias” ao controlo do “alegado surto de legionela no sistema de abastecimento de água da instituição.

Contrariando os relatos dos funcionários da instituição que falaram à Lusa, a instituição esclarece que “não foram assumidas medidas em apenas alguns chuveiros”, como alegavam os funcionários ouvidos pela Lusa, mas em todo o sistema, o que representou “um investimento considerável, mas eficaz”.

Acrescentam ainda que a situação foi “adequadamente conhecida e apreciada pela Inspeção da tutela, tendo a mesma sobre isso já se pronunciado”.

Na sexta-feira, refugiando-se no anonimato, os funcionários e utentes que decidiram falar à Lusa, descrevem um cenário em tudo idêntico ao que as autoridades de saúde encontraram em 2020, ano em que morreram, segundo números oficiais, 24 utentes de covid-19 e em que até o Exército teve de intervir.

Num relato em tudo idêntico ao que foi apresentado por um grupo de sócios da instituição ao Ministério Público, os residentes vitalícios, que continuam a pagar mensalmente pelos seus espaços cerca de 350 euros, dizem ter sido “obrigados a sair para viver”.

Também os funcionários que decidiram falar à Lusa, traçam um cenário dramático, com mais de cem, mais de metade dos quais acamados ou sem autonomia, “deixados à sua sorte”.

“Os idosos estão a morrer aos bocados por falta de cuidados”, contou um funcionário à Lusa.

A direção do lar não reconhece, contudo, estas acusações, que consideram “abstratas”, acusando os autores da denúncia ao MP de estarem envolvidos em processos judiciais criminais complexos.

“Muitos destes alegados associados, que hoje se escondem no anonimato e na sombra, estavam a trabalhar na instituição e a viver à indevida custa dos rendimentos dos utentes que hoje dizem defender”, acusam.

Acrescentam ainda que o Lar do Comércio hoje abre as portas à tutela, “que teve oportunidade de verificar, consultar, analisar e esquadrinhar todo o espaço, utentes, funcionários e fornecedores e proferir o relatório que entendeu adequado e onde, mais uma vez, se esclareceram todas as alegadas denúncias anónimas e sombrias que se levantaram sobre esta instituição”.

Em resposta à Lusa, a instituição diz ainda não entender o querem dizer aqueles que os acusam de ter a intenção de transformar o local num lar de “gente rica”, sublinhando que a atual direção foi a única que assumiu um processo de licenciamento do espaço perante o órgão de tutela que vinha reclamando a ilegalidade de espaço.

Reiteram ainda que a Direção continuará a trabalhar no bem-estar dos utentes”, estando disponível para esclarecer qualquer queixa perante aqueles que não se refugiem no anonimato.

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