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Quarta-feira, Julho 24, 2024

Estação de Santa Apolónia quase deserta em dia de greve

Comboios parados, linhas vazias e poucas pessoas nas plataformas era o cenário esta manhã, na estação ferroviária de Santa Apolónia, uma das mais concorridas da capital, devido à greve na CP e na IP.

O cenário é pouco habitual em Santa Apolónia, onde o entra e sai de comboios leva todos os dias muitas centenas de pessoas a calcorrear aquelas plataformas.

Ainda assim, apanhados desprevenidos, alguns turistas chegam à estação e tentam decifrar o que “suprimido” quer dizer, no quadro informativo disponível à entrada.

Apesar de saber que há greve, também José Reis se dirigiu esta manhã a Santa Apolónia, depois de sair do trabalho, às 08:00, na esperança de conseguir comboio para voltar para casa, em Santarém.

“Já estive a consultar o quadro, não é muito explícito, por aquilo que ali está só às 11:45 [é que há comboio]”, diz à Lusa, a tentar manter a expectativa baixa, não vá chegar à hora e ficar em terra.

Para José Reis, as reivindicações dos trabalhadores da CP – Comboios de Portugal e da Infraestruturas de Portugal (IP) “são justas”, nomeadamente aumentos salariais que façam face à subida do custo de vida.

“Todos têm direito a fazer greve, eu se tiver de fazer greve também faço, não tenho problema nenhum. Prejudica as pessoas, mas é um direito que as pessoas têm”, defendeu.

Da mesma forma, também José Conde estava ciente de que está a decorrer uma greve, mas foi a Santa Apolónia tentar comprar um bilhete para sexta-feira.

“Vinha para tirar o bilhete para ir amanhã para cima, para Nelas. Não consegui falar [com ninguém], não vejo ninguém na bilheteira. Por acaso sabia que havia greve, mas pensei que era só hoje”, disse à Lusa.

A alternativa agora, explicou, é apanhar um autocarro, que lhe vai ficar mais caro do que o comboio, onde, segundo disse, vale mais a pena usufruir do desconto para maiores de 65 anos.

Ainda assim, José Conde considerou que os trabalhadores “têm razão em fazer greve”.

Já Paula Campos, que queria ir para Pombal, não sabia que está a decorrer uma greve e foi apanhada de surpresa.

“Não sabia, não me disseram nada, isto é complicado para uma pessoa. Não tenho indicações, não tenho nada, está tudo fechado, podiam avisar, isto está muito mal”, desabafou.

Em declarações à agência Lusa, o coordenador da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), José Manuel Oliveira, afirmou que “a mensagem que se procura transmitir é um forte descontentamento dos trabalhadores da CP e da IP, de todas as categorias profissionais, face àquilo que são as propostas que as empresas colocaram em cima da mesa – e que já encerraram os processos – que significa uma nova redução do poder de compra, que, conjugado com aquilo que foi a perda de poder de compra me 2022, significa quase qualquer coisa na ordem dos 10% de poder de compra a menos”.

O responsável sindical disse ainda que a desvalorização dos salários está a criar um problema de falta de trabalhadores para o futuro, uma vez que estão a sair profissionais de vários setores e há dificuldade em recrutar novos.

“Nós estamos perante uma questão de opção política, nem é tanto uma orientação das empresas, é uma opção política e compete ao Governo, efetivamente, decidir se quer ter um conflito ou se quer ter os trabalhadores para aquilo que eles definem e falam tanto para o futuro, que é o desenvolvimento do caminho-de-ferro”, realçou.

A adesão à greve dos maquinistas da CP – Comboios de Portugal está a ser total, tendo sido suprimidas todas as ligações previstas até às 06:00, segundo fontes do sindicato e da empresa.

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